Ainda,
de tempos em tempos
eu também preciso de um deus;
e enquanto os homens
(esses seres tão lentos...),
que se perguntam:
"onde estará deus no momento!?"
fazem barulhos nos templos,
clamando por salvação!
Eu só me deito,
e penso,
e pensando
é que sou "alado",
dou "asas" à imaginação.
Penso que,
com certeza,
deus pensa...
Acho que deus
e eu
somos até parecidos...
Todo olhos
e ouvidos,
preferindo silêncio dos filhos
que respeitam
o pai que sabe
aos ruídos
da pregação.
Quem sabe...
Deus é silêncio,
mas ainda tem coração.
Quem sabe
ele só está calado
porque é um velho, com ouvidos tampados
quando ligam essas caixas de som!
Homens, pobres homens!
Acham que a humanidade tem muito o que falar,
sem imaginar
que talvez
deus
tenha se
cansado de só escutar,
sabendo que os homens
ainda tem muito
o que ouvir.
(Rhangel Ribeiro)
quarta-feira, 10 de abril de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
O espertar repentino
E de repente
eu era poeta.
E de repente
ela sabia.
E de repente
ela era a palavra.
E de repente
nós fomos poesia.
E de repente
era todo sábado.
E de repente
era todo dia.
E de repente
eu fiquei tão prático
que de repente
ela era uma sílaba .
E de repente
eramos dízimas,
de repente
dúzias, divisíveis...
E de repente
eramos zero,
de repente
invisíveis...
E de repente
ela era um sussurro,
e de repente
ela era um resumo,
e de repente
eu fiquei tão leve...
E de repente
eu fiquei tão burro...
E de repente
nós íamos tão longe
que de repente ela existia!
E de repente
não fomos
nem esse"de repente"
que tanto
se repetia.
(Rhangel Ribeiro)
eu era poeta.
E de repente
ela sabia.
E de repente
ela era a palavra.
E de repente
nós fomos poesia.
E de repente
era todo sábado.
E de repente
era todo dia.
E de repente
eu fiquei tão prático
que de repente
ela era uma sílaba .
E de repente
eramos dízimas,
de repente
dúzias, divisíveis...
E de repente
eramos zero,
de repente
invisíveis...
E de repente
ela era um sussurro,
e de repente
ela era um resumo,
e de repente
eu fiquei tão leve...
E de repente
eu fiquei tão burro...
E de repente
nós íamos tão longe
que de repente ela existia!
E de repente
não fomos
nem esse"de repente"
que tanto
se repetia.
(Rhangel Ribeiro)
segunda-feira, 25 de março de 2013
INTE
Eu torço para ficar tudo bem,
mas não consigo me levantar da cama,
deus me apontou para o além,
lúcifer me jogou na lama,
"amigo, você deve estar tão Zen"
o sol é um rifle apontado pra minha cara.
Seu idiota!Sua vida não é dura!
Eu ensinei todos os discípulos,
hoje, velho, mestre,
trancado na clausura.
A coragem de ser livre,
de tomar decisões,
a liberdade
está cheia de obrigações.
Ser mestre é ser servo,
é ser pupilo.
No espelho,
minhas pupilas,
minha menina dos olhos
tão confusa.
Eu, confuso,
não me iludo,
você sou eu ao contrário,
desde que a linha reta
encontrou a obtusa.
(Rhangel Ribeiro)
mas não consigo me levantar da cama,
deus me apontou para o além,
lúcifer me jogou na lama,
"amigo, você deve estar tão Zen"
o sol é um rifle apontado pra minha cara.
Seu idiota!Sua vida não é dura!
Eu ensinei todos os discípulos,
hoje, velho, mestre,
trancado na clausura.
A coragem de ser livre,
de tomar decisões,
a liberdade
está cheia de obrigações.
Ser mestre é ser servo,
é ser pupilo.
No espelho,
minhas pupilas,
minha menina dos olhos
tão confusa.
Eu, confuso,
não me iludo,
você sou eu ao contrário,
desde que a linha reta
encontrou a obtusa.
(Rhangel Ribeiro)
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
A cruz e a aquarela
Paraíso além da paisagem,
o messias além da imagem,
a beleza da papoula
além do ópio,
longe do retorno de uma silhueta
de sentar-se sob uma árvore de ampulhetas
e aguardar
ou procurar rever
uma combinação de caleidoscópio.
Um pintor doido e doído,
que pintava os quadros mais coloridos
mas que mostravam as cenas mais tristes;
suas tintas
eram seu sangue,
seu corpo
e espirito
transbordando e gritando:
"Grite!".
Tornando vivos sentimentos mortos
em seu campo amarelo
de mato velho
feito pepita de ouro.
Seu único tesouro
era não ser perfeito,
o artista "pronto"
estava no que lhe faltava,
em sua doce e amarga
falta de jeito.
(Rhangel Ribeiro)
o messias além da imagem,
a beleza da papoula
além do ópio,
longe do retorno de uma silhueta
de sentar-se sob uma árvore de ampulhetas
e aguardar
ou procurar rever
uma combinação de caleidoscópio.
Um pintor doido e doído,
que pintava os quadros mais coloridos
mas que mostravam as cenas mais tristes;
suas tintas
eram seu sangue,
seu corpo
e espirito
transbordando e gritando:
"Grite!".
Tornando vivos sentimentos mortos
em seu campo amarelo
de mato velho
feito pepita de ouro.
Seu único tesouro
era não ser perfeito,
o artista "pronto"
estava no que lhe faltava,
em sua doce e amarga
falta de jeito.
(Rhangel Ribeiro)
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Móbiles
Desligado,
em qualquer rua do centro da cidade,
desci até o subterrâneo
de uma loja com portas de vidro;
vi um teto de noite estrelada
e fileiras de berços com móbiles,
personagens, animais e galáxias
que ficavam girando e girando...
Para distrair um filho
que ainda não havia chegado.
Ah, se nossos bebês soubessem!
Que podem ter o sistema solar ao alcance dos dedos
quando ainda não existe o medo
de demonstrar o medo que se tem!
Pobrezinhos,
eles ainda não sabem
do crescer,
do virar adulto,
do falecer
e do virar adubo.
Mas mesmo assim vão crescendo
indiscriminadamente
e deixam de chorar com toda força
sem medo de serem chamados de fracos,
e de rir naquela alegria espontânea
que, talvez, só quem não entende nada
entenda.
E envelhecem...
Até seus nomes ficarem ligados
apenas a uma lembrança,
que vai sumindo, e sumindo...
Até virar poeira.
No fim das contas
é tudo a mesma coisa,
e todas as coisas estão ligadas...
e assim como os bebês
ainda não entendemos
que todas as etapas são necessárias.
Ah, se esses bebês soubessem!
Que não passamos da peça central de um móbile
com interrogações dependuradas ao redor,
que é parte de um móbile maior
do qual, felizmente,
não estamos no centro.
(Rhangel Ribeiro)
em qualquer rua do centro da cidade,
desci até o subterrâneo
de uma loja com portas de vidro;
vi um teto de noite estrelada
e fileiras de berços com móbiles,
personagens, animais e galáxias
que ficavam girando e girando...
Para distrair um filho
que ainda não havia chegado.
Ah, se nossos bebês soubessem!
Que podem ter o sistema solar ao alcance dos dedos
quando ainda não existe o medo
de demonstrar o medo que se tem!
Pobrezinhos,
eles ainda não sabem
do crescer,
do virar adulto,
do falecer
e do virar adubo.
Mas mesmo assim vão crescendo
indiscriminadamente
e deixam de chorar com toda força
sem medo de serem chamados de fracos,
e de rir naquela alegria espontânea
que, talvez, só quem não entende nada
entenda.
E envelhecem...
Até seus nomes ficarem ligados
apenas a uma lembrança,
que vai sumindo, e sumindo...
Até virar poeira.
No fim das contas
é tudo a mesma coisa,
e todas as coisas estão ligadas...
e assim como os bebês
ainda não entendemos
que todas as etapas são necessárias.
Ah, se esses bebês soubessem!
Que não passamos da peça central de um móbile
com interrogações dependuradas ao redor,
que é parte de um móbile maior
do qual, felizmente,
não estamos no centro.
(Rhangel Ribeiro)
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Decepções
Se até a indiferença decepciona
a decepção jamais é indiferente,
perturba os iguais e os diferentes
e igualmente
os que arriscam ou ambicionam.
Ela é um fantasma com as mãos enfiadas dentro dos bolsos,
é o tumulo das ideologias vencidas,
e o calabouço dos desejos irrealizáveis.
Ela persegue os miseráveis,
os medíocres, os ricos,
o maduro e o podre
os pastores e os padres...
A decepção é, potencialmente, o abandono da esperança;
testa a fé, a descrença e provoca a piedade.
Não se importa com o que é "sagrado" ou "importante",
e é pesadelo de homens de boa, e de má vontade.
Se adaptar a ela
é fundamental para a sobrevivência humana
(e de tantos outros animais...).
A decepção não é algo novo,
mas, por vezes, faz parte do processo em que as coisas novas surgem;
pois não é apenas inerente aos fracassados, aos que erram e aos que perdem,
mas também aos que tentam,
que mudam,
que conseguem,
que se renovam,
e que ressurgem!
Ainda que tardiamente,
quando já não existem
decepções.
(Rhangel Ribeiro)
a decepção jamais é indiferente,
perturba os iguais e os diferentes
e igualmente
os que arriscam ou ambicionam.
Ela é um fantasma com as mãos enfiadas dentro dos bolsos,
é o tumulo das ideologias vencidas,
e o calabouço dos desejos irrealizáveis.
Ela persegue os miseráveis,
os medíocres, os ricos,
o maduro e o podre
os pastores e os padres...
A decepção é, potencialmente, o abandono da esperança;
testa a fé, a descrença e provoca a piedade.
Não se importa com o que é "sagrado" ou "importante",
e é pesadelo de homens de boa, e de má vontade.
Se adaptar a ela
é fundamental para a sobrevivência humana
(e de tantos outros animais...).
A decepção não é algo novo,
mas, por vezes, faz parte do processo em que as coisas novas surgem;
pois não é apenas inerente aos fracassados, aos que erram e aos que perdem,
mas também aos que tentam,
que mudam,
que conseguem,
que se renovam,
e que ressurgem!
Ainda que tardiamente,
quando já não existem
decepções.
(Rhangel Ribeiro)
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Manual prático de existencia
Aquela ave assobiando
aquele canto inacabado
do compositor desafinado
seguia me desafiando...
Não poderia adiar mais um dia.
Levantei com um sol que me batia na cara
como se me chamasse pra briga,
e tomei um desjejum de rei
para aguentar quem tem o rei na barriga.
Saí pensativo...
É demasiado esquisito
a existência ainda não ter um manual prático.
Sofro porque existo!
Talvez soe até antipático...
Mas sou aquele tipo de chato
que ainda espera o dia
e ainda aguarda o instante
em que sua antipatia
se tornará cativante!
É diferente, entende?
(e quem entenderia...)
E de repente,
não mais que...
em plena correria
me ocorria
que se existisse mesmo
um manual prático de existência
certamente esse manual diria:
'Dispense esse dia a dia intolerável,
esse dispersar de amanhecer que lhe entardece,
insignificância, grandeza... Esquece
que até mesmo o perfeito um dia vai acabar!'
Diria,
mas não existe
só o que existe
é nossa capacidade de pensar!
E vejam só...
Pensei tanto
que me perdi.
(Rhangel Ribeiro)
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