quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Sabe-se lá

Ela insistia.

-Ao menos apareça, com seu "Oi".
Mas ele não foi.
E ficou a sensação
de que aquilo ia ser bom...

A explicação?
Sabe-se lá!

Sabe-se lá
para onde se para
anda e vai
quando o semáforo esta´
estafado, em stand by ...

Medo?Talvez...

Eu me importo demais
com o que ainda não sei.
E se a lei não se faz
alguém há de aplicar
sua própria lei...

Qual a moral?
Lá, cê sabe...

Na escuridão
o sorriso é embargado,
os gatos são pardos
e os ratos são reis.

(Rhangel Ribeiro)


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Rudá

Deitados em volta da mesma chama,
que a tempestade irá levar,
com suas lagrimas de lama,
sob a lâmpada lunar.

Rodeados por essas rochas, cheias de falhas
e por esse oceano, tão cheio de música;
carne, riacho, palha;
estão os homens dessa terra rústica.

Aqui incertezas desaparecem,
 em queda brusca.

E quem só acha
não busca
algo mais
que só achar.

E quando Rudá sumiu,
parece, o céu caiu;
e tapando feridas com malva,
eles oram por um ombro.

Porque seus sonhos são escombros
e toda criação vem da raiva.

(Rhangel Ribeiro)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Minha Quadra

Aqui vi um maneta,
foi em um mês de maio,
num cavalo baio,
com uma baioneta.

Girei maçanetas,
usei blusas de lã,
mordi maçãs,
invejei lunetas.

Subi até tua sacada,
é a mais verde da rua,
mas não vejo a lua,
solitude ladra;

só senti,
que aqui, nesse quadro,
eu já  não me enquadro
só, sem ti...

(Rhangel Ribeiro)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Algodões rubros

Camponeses zarpam
em jardineiras,
e nas corcovas dos cabriolés,
pelo caminho dos catolés,
cercados e paineiras.

Soldadinhos de chumbo,
liberdade em gaiolas,
é estado latente e beligerante.

Quebra-Nozes
na casa das máquinas.
Damas e ventarolas...
Fila indiana, cortejo elegante.

De carona, em jumentos
vão estudantes, crianças, mulheres,
com seus risos e cataventos,
abrir a cova dos malmequeres.

Na estrada das quimeras
sumiu mais um jovem moço.
Em um túnel de escuridão tranquila,
que ainda vira,
e vira poço.

(Rhangel Ribeiro)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

RIP, RIP! ERRO!!

Estou sozinho,
porque sou errado!
Sou todo errado!
Tão errado
que até repito,
de maneira errada
a palavra 'errado'
no final dos versinhos...

'Mais pobre que uma rima pobre
é rimar uma palavra com ela mesma!'

É o que dizem...

Mas é melhor fazer isso,
que acabar usando
 a palavra errada,
no momento errado.

É o que digo...

Falam também
que estou no caminho errado,
e no lugar errado!
Se 'eles' vão para um lado,
eu, rapidamente, vou para o outro.

Eu mesmo não arrisco dizer que estou certo,
também acho, que realmente,
estou no lugar errado.

Mas sei
que assim,
seguindo no rumo contrário,
corro o sério risco,
de estar cada vez mais perto
do caminho certo.

(Rhangel Ribeiro)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Para onde vão os imortais?

Vivem tua vida
sem tua presença,
apagam tuas pegadas,
e o crime re-compensa.

Mudam
de cidade,
fingem
 teu sumiço.

Fogem,
são omissos.
E entre a neblina, fina...
Desaparece a lealdade.

Fecharam tua cortina,
cobriram tua carcaça,
mas a luz da eternidade,
não passa, transpassa...

(Rhangel Ribeiro)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tão belas quanto breves

Sinto falta das folhas de outono,
não deveriam me fazer falta.

Eram apenas folhas secas no outono
espalhadas por toda parte.

Não sei se é por ter algo de 'arte'
que elas me tiram o sono.

Mesmo mortas, eram tão bonitas.
Aquelas breves folhas de outono...

É primavera, é inverno, é verão...
eu olho para o chão,
elas não estão mais lá.

E esse passeio público
que dizem ser de todos,
agora é menos meu;
é só 'falta do que fazer'

sem vocês
folhas de outono.

Vontade de observar
vocês que tem companhia,
que voam com a ventania...

Mas parece que o outono
nunca mais vai voltar...

(Rhangel Ribeiro)