O noticiário não traz boas noticias.
Tem herói e vilão, tem bandido e polícia.
O mundo continua girando.
Indiana continua correndo,
com medo de ser esmagado.
Tem sangue, suor, futebol e gingado.
Tem malandro, tem ditador, tem terrorista.
A bola rola,
a porrada come.
Tem torcida organizada e gente brigando com gente.
Gente magra no Olimpo.
Gente quebrando tudo.
Gente batendo panela.
Gente perdendo respeito.
Gente perdendo os dentes.
Nós erramos.
Isso tudo é ódio
ou só estão amando de um jeito errado?
Esqueceram o passado,
esqueceram as crianças,
esqueceram a poesia,
esqueceram que toda gente é gente.
O que podemos fazer?Somos o projeto que deu errado.
Desliga isso,
tem bolo de fubá no forno.
Você é só mais um homem,
você fez o seu melhor.
O homem que não foi tanto.
(Rhangel Ribeiro)
terça-feira, 21 de abril de 2015
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
O homem em uma fila
Um homem em uma fila é só um homem em uma fila,
com grandes decepções e grandes expectativas.
Nem mais, nem menos.
O homem não é nada além do homem.
O final é a razão de se estar onde está.
Como era antes disso tudo acontecer.
Portanto pegue sua senha
e espere o seu número.
Você é um número.
O homem em uma fila não é nada além de um número.
É uma dádiva saber que vai chegar a sua vez.
A fila segue em frente
quando você acha que não pode ir mais longe
e termina com alguém perguntando
se pode te ajudar.
Como toda boa fila.
Não se pode correr.
Aqui cada um é cada um,
um de cada vez.
Então paciência.
Repare que se olharmos bem de perto
veremos que pequenas grandes coisas estão ligadas
em uma corrente até o infinito.
Rumo a eternidade.
A eternidade.
Você não vai voltar pra casa.
A eternidade não volta.
Ou sai e não volta
ou simplesmente não sai.
A eternidade.
É muito tempo.
Mas de uma forma ou de outra seremos eternos.
Você e eu somos importantes.
Todos nós somos importantes.
Números são importantes.
Apenas respeite a ordem de chegada,
a ordem natural das coisas.
No fim estaremos bem.
Todos vamos embora,
eles irão nos guiar para um lugar melhor
e descansaremos
para todo o sempre.
(Rhangel Ribeiro)
com grandes decepções e grandes expectativas.
Nem mais, nem menos.
O homem não é nada além do homem.
O final é a razão de se estar onde está.
Como era antes disso tudo acontecer.
Portanto pegue sua senha
e espere o seu número.
Você é um número.
O homem em uma fila não é nada além de um número.
É uma dádiva saber que vai chegar a sua vez.
A fila segue em frente
quando você acha que não pode ir mais longe
e termina com alguém perguntando
se pode te ajudar.
Como toda boa fila.
Não se pode correr.
Aqui cada um é cada um,
um de cada vez.
Então paciência.
Repare que se olharmos bem de perto
veremos que pequenas grandes coisas estão ligadas
em uma corrente até o infinito.
Rumo a eternidade.
A eternidade.
Você não vai voltar pra casa.
A eternidade não volta.
Ou sai e não volta
ou simplesmente não sai.
A eternidade.
É muito tempo.
Mas de uma forma ou de outra seremos eternos.
Você e eu somos importantes.
Todos nós somos importantes.
Números são importantes.
Apenas respeite a ordem de chegada,
a ordem natural das coisas.
No fim estaremos bem.
Todos vamos embora,
eles irão nos guiar para um lugar melhor
e descansaremos
para todo o sempre.
(Rhangel Ribeiro)
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Marguerita
Sábado de aleluia passou,
podemos desmontar o altar,
ainda é o mesmo programa de domingo
e o que foi não vai mais voltar.
podemos desmontar o altar,
ainda é o mesmo programa de domingo
e o que foi não vai mais voltar.
Sobrou a bagunça, a sujeira
e a louça na pia pra lavar.
Resquícios de felicidade,
aquele tipo de felicidade que come pizza
e bebe Coca Cola. Você sabe.
e a louça na pia pra lavar.
Resquícios de felicidade,
aquele tipo de felicidade que come pizza
e bebe Coca Cola. Você sabe.
Mas faltou você,
você que foi,
que eu sei
que não volta mais.
Mas que eu não me esqueço.
você que foi,
que eu sei
que não volta mais.
Mas que eu não me esqueço.
Eu sempre te guardei um pedaço,
Marguerita.
O povo aqui acha bem estranho.
Mas sábado encerrei a tradição.
E advinha?Escutei 'aleluia!' em profusão!
Marguerita.
O povo aqui acha bem estranho.
Mas sábado encerrei a tradição.
E advinha?Escutei 'aleluia!' em profusão!
A gente ainda lembra,
infelizmente a gente lembra.
Felicidade tem tamanho e sempre vai.
O tamanho da dor não importa,
nada incomoda tanto quanto o agora.
infelizmente a gente lembra.
Felicidade tem tamanho e sempre vai.
O tamanho da dor não importa,
nada incomoda tanto quanto o agora.
Difícil se acostumar assim,
sem estar ciente dos acontecimentos.
Mas se agora parece o fim
não se preocupe,
eu estou bem,
eu sobrevivo.
Alguém?
Alguém?
Cambio, desligo.
sem estar ciente dos acontecimentos.
Mas se agora parece o fim
não se preocupe,
eu estou bem,
eu sobrevivo.
Alguém?
Alguém?
Cambio, desligo.
(Rhangel Ribeiro)
sábado, 22 de novembro de 2014
Um conselho
Se você cair um tombo, sofrer um acidente ou levar porrada... Não importa a ocasião. Se possível, tente proteger a cabeça e o coração. Nem que para isso você tenha que ferrar um braço, distender um joelho ou quebrar um nariz, não importa.
Na pior das hipóteses, se não tiver jeito (se não tiver jeito MESMO) e você se ver no terrível dilema, que é ter que optar por sacrificar um dos dois, não pense duas vezes, salve a cabeça! Afinal ainda não temos o cérebro artificial, o transplante de crânio ou o desfibrilador neural. Do contrario -graças aos avanços da medicina moderna- já temos aí várias maneiras de salvar o coração.
Eu diria que se 'Romeu e Julieta' fosse ambientado no século 21 não teria acabado como acabou (teria a opção de chamar um SIATE, com um paramédico, que certamente teria um desfibrilador).
Hoje um coração em péssimo estado não necessariamente significa o fim de uma vida. Então nunca deixe que um coração faça você perder a cabeça, até porque isso seria bem idiota.
[Rhangel R.]
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Junk food
Cansa, descansa, se sente culpado,
sem entender o motivo. Mas ainda está vivo.
É isso que importa!
Escreve bobagens, tarde da noite,
como quem já amou e foi desamado.
Não sai espalhando,
é triste um bocado
sentir que nada valeu a pena.
Pensa, diz, dispensa,
no que é, o que foi, o que seria.
Dorme mal, come pouco, ri menos.
Espera, espira, para.
Respira.
Abre a geladeira,
só pela luz no escuro.
Liga o rádio,
sufoca-se em si.
Fala menos.
Se escuta muito,
se interessa pouco,
mas se interessa muito
pelo que já não escuta.
sem entender o motivo. Mas ainda está vivo.
É isso que importa!
Escreve bobagens, tarde da noite,
como quem já amou e foi desamado.
Não sai espalhando,
é triste um bocado
sentir que nada valeu a pena.
Pensa, diz, dispensa,
no que é, o que foi, o que seria.
Dorme mal, come pouco, ri menos.
Espera, espira, para.
Respira.
Abre a geladeira,
só pela luz no escuro.
Liga o rádio,
sufoca-se em si.
Fala menos.
Se escuta muito,
se interessa pouco,
mas se interessa muito
pelo que já não escuta.
Se vai
não diz um ai.
Saiu,
não disse um piu.
Esbarra nas pessoas,
olha pela janela,
tudo em movimento.
Chega ofegante.
Suporta.
Café, mais café,
liga na pizzaria,
pede qualquer Junk food,
lancha só,
em um recôndito recinto,
ressentido, combalido,
por não ser como você.
(Rhangel Ribeiro)
Café, mais café,
liga na pizzaria,
pede qualquer Junk food,
lancha só,
em um recôndito recinto,
ressentido, combalido,
por não ser como você.
(Rhangel Ribeiro)
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Tamborim
Crianças na gangorra,
velhos na padaria,
andorinhas assobiavam
canções de alforria.
Eu vi,
uma via
duas mãos
nos esganando.
Ela pousou nos ombros
do tocador de tamborim
e eu posso jurar que nesse dia
deus sorriu pra mim.
Mas choveu,
as crianças choraram,
os velhos partiram,
as andorinhas pararam
e eu também parei.
Um equívoco de deus
pedir o que Dylan pediria,
velhos na padaria,
andorinhas assobiavam
canções de alforria.
Eu vi,
uma via
duas mãos
nos esganando.
Ela pousou nos ombros
do tocador de tamborim
e eu posso jurar que nesse dia
deus sorriu pra mim.
Mas choveu,
as crianças choraram,
os velhos partiram,
as andorinhas pararam
e eu também parei.
Um equívoco de deus
pedir o que Dylan pediria,
sei que ainda é a mesma letra,
mas mudou a melodia.
(Rhangel Ribeiro)
(Rhangel Ribeiro)
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Outro rio
Foi até a pedra,
cruzou as pernas,
observou a ponte.
Para esquecer que é tristefoi até a ponte
e observou o rio.
O rio sussurrava para voltar atrás,
mas o atrás não existia mais,
segundo a segundo
é outro rio
e um rio mais vazio.
O tempo se revelava ilusório,
um curto espaço entre o nascer e o velório
e aqueles números que nunca erram
não sabiam mais que horas eram,
mas parecia que eram séculos e séculos,
em círculos...
Ele não sentia que sentia.
Tudo era uma grande alegoria.
E o rio lhe ofertou um abraço,
pra fracassar em esquecer o fracasso,
e afundar era mais que só cálculos e câimbras.
É certeza
não se nasce pra entender,
porque um homem vive pra morrer...
E o chão era também o céu.
E o réu era também o santo.
E o rio prosseguiu,
outro rio,
mais vazio.
(Rhangel Ribeiro)
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