sábado, 10 de setembro de 2011

Das coisas entre o céu e a terra...

Entre o céu e a terra partículas
De oxigênio compunham o ar
Pilares humanos de terras longínquas
Constroem a arte a cantar...

Entre o céu e a terra
A vastidão dos oceanos
que fazem querer ser peixes
os pobres seres humanos.

Entre o céu e a terra
Fagulhas, poeiras de sonhos...
E a natureza chora rasteira
“Vivendo” em pleno abandono.

Entre o céu e a terra
um silêncio e uma brisa pouca
como aquele silêncio no espaço
entre o nariz e a boca.

Rhangel Ribeiro e Luana Lagreca

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Olga e a alga

Olga viu o mar e entrou na água,

resolveu tomar um banho.
Olga viu uma alga
e na alga viu algo de estranho.
Olga nunca tinha visto
uma alga daquele tamanho.


Olga viu algo na água:
Eram algas de montão,
e algo escondido nas algas
chamou a sua atenção.


Olga então se viu fascinada
e embrenhou-se na floresta de algas.
Sonhava ser a sereia 
que ouvira nos contos de fada.
Sua mãe a esperava na areia
e as algas já lhe cobriam a nalga.


Então,  Olga no meio das algas
viu uma porta quadrada.
Olga entrou pela porta
e por ali não tinha nada.
A porta não mais se abriu,
e Olga morreu afogada.



Rhangel Ribeiro

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Poema confuso de alguém perdido

Não sei pra onde vou.
Não sei me definir.
Não sei bem quem eu sou.
Não sei pra onde ir.

Dentro de mim sou vários,
e também  só mais um ninguém.
Sou tudo: O malandro, o otário...
Procurando ser alguém.

Dentro do próprio labirinto,
procurando me encontrar...
Sou fingidor e nunca minto.
Em lugar nenhum, em todo lugar.

Acho que estou perdido,
em meio aos EUs que inventei.
Em todos os sentidos
e sem sentido o  que vai ser...
Não sei.

 (Rhangel Ribeiro)


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Preguiçoso

Preciso dormir um pouquinho
não quero sair lá fora,
por favor,  me deixe sozinho
feche a porta e vá embora.


Pare de me acordar,
me deixe aqui...só mais um pouquinho.
Eu preciso descansar.
Por favor,  me deixe sozinho.


Preciso ficar só,
só por agora.
Não tenha pena nem dó.
mas preciso de mais uma hora.

Mãe...ainda é cedo.
Me deixe ficar aqui deitado.
Não...não é por medo
É que tenho um sonho e não foi acabado.
                                                                           Rhangel Ribeiro

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Passo

Passo a vida no liquido escuro
das garrafas de café passado.
Passei o negro passado impuro,
passo  puro, presente errado.

Espero passar meu futuro,
passo tudo assim assado.
No proximo passo imaturo
se errar passo calado.

Passarei por cima do muro.
Passarei o amarrotado.
Passarei por cima de tudo.
Passarei o nescessário.

Não sei se meu passo é seguro
mas passo pela vida de gado.
Passarei mais um apuro
e quando acabar serei passado.


                                                                       (Rhangel Ribeiro)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

CEDINHO

Ao som do bater das canelas
e do desenho do Tico e Teco,
grito Deus da Janela
e me responde o meu eco.

Falo comigo calado*
Deus deve estar ocupado
enquanto escrevo esse verso.

E também deve estar cansado
pois a ele compete o cuidado
de atender todo o universo.

Pensando encafifado
volto a cuidar dos meus trecos*
Deus , eu entendo teu lado,
Sou bicho homi e malvado,
é melhor cuidar dos marrecos.


                                                                                         Rhangel Ribeiro

domingo, 31 de julho de 2011

Sobre conversar com o vento

Nos dias em que não papeio
com senhores ou senhoras. 
Eu jogo palavras ao vento 
e a conversa vai embora. 

Por isso te recomendo: 
proseie com o vento agora, 
não jogue fora todo tempo 
que você pode ganhar 
jogando conversa fora. 

Para isso esteja atento, 
o vento não marca hora, 
seu som só vem com o silêncio 
que muita gente ignora. 

O vento não exige cumprimento, 
sorrisos, assuntos e muito menos cobra 
pela palavra que falta, pelo papo que sobra. 
Dizem que Deus com um sopro de vento 
criou toda a fauna e a flora, 
e todo o invento sagrado 
que hoje o cimento devora. 

Dizem que o vento não tem sentimentos 
mas acredite... O vento chora, 
e quanto mais a cidade corre 
muito mais o vento demora. 

O vento não pede agradecimento 
e não exige multa ou mora, 
o vento só pede um momento, 
pra ser sentido noite adentro 
e quem sabe 
alma afora.

(Rhangel Ribeiro)