quarta-feira, 7 de março de 2012

Dio mio

Arrependimento é uma droga,
que não trago;
do meu último emprego
saí puto,
fudido e mal pago.


Também fui expulso de casa,
e foi por justa causa.
Não disse que tinha razão,
e olha que saí sendo chamado de vadio
e sendo comparado a um  super-vilão.


"Dio mio!
Não fui salvo por nenhuma oração,
ainda quero dominar o mundo!! "


Ora, ainda sou algo entre o senhor e o cão,
mas juro que não tenho nenhuma pretensão
além da morte;
Mas entenda que ser chamado de vagabundo
foi um chute no meio dos bagos!


Minha sorte
foi encontrar (inteiro) um quarto vago,
onde posso bolar planos terríveis,
ter pensamentos e sonhos ainda mais vagos
de acabar com o que resta do super-herói.


(Rhangel Ribeiro)

sexta-feira, 2 de março de 2012

Ao primeiro Ex-amor da minha vida

Uma vez, eu ainda criança,
com o coração derretido de amores
me enchi de esperanças
e lhe roubei um punhado de flores.

Você era a guria mais linda da minha rua,
de uma perfeição que me fazia crer em deus.
Eu sei que as flores eram suas
mas os sentimentos (todos) eram meus.

Eu bati na sua porta,
batia forte igual meu coração,
então você saiu e bateu na minha cara
e nesse dia eu aprendi uma lição:

Amores perfeitos

nos canteiros da cidade.
Amores perfeitos

nos jardins da saudade...

(Rhangel Ribeiro)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Daquele que não espera nada

Não espero dos leitores gentilezas,
nem aspiro inspirar outros poetas.
Ignoro aspirantes a profetas,
o que vier que venha de surpresa.

Verso porque quero,
não espero nada de coisa nenhuma,
essa  'não espera' que me livra do desespero
e que talvez não me leve a parte alguma,
me faz a criança que sente o cheiro do tempero,
surpresa, que a vó faz de vez em quando,
quase nunca.

Não sei se faço por onde...
Mas enquanto der vou fazendo.
Sei que a sorte não sorri pra quem se esconde,
então procuro, e vejo tudo acontecendo.

Não espero, nem aspiro ser eterno
nas palavras, no céu, no inferno,
ser vampiro ou qualquer mito imortal,
nem sei se a terra é moradia provisória.
Não preciso saber a moral da nossa historia
antes que ela chegue no final.
Afinal, não espero nada, até o fim, nada me basta.

(Rhangel Ribeiro)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Onde há fumaça, haverá nuvem

Mais pesado que o céu
em uma noite de tempestade.
Preciso de uma folha de papel
antes agora do que tarde.

Problemas viram poemas.
Contas se transformam em contos.
Leve como uma pena,
antes tanto do que tonto.

Posso estar viajando
mas ainda tenho rumo
assim ta bom por enquanto...
Antes fumaça do que fumo.


A fumaça  sempre é algo que foi pro beleléu,
indo embora quando algo evapora ou se apaga,
ainda que tóxica, vira nuvem nadando no céu
(se bem que nuvem flutua...)
antes nado do que nada.

(Rhangel Ribeiro)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Lamentações no fim de uma vida longa


Se foram dias.
Se passaram anos.
acabou o tempo e a garantia
e eu não agradei  gregos, nem  troianos.

Tudo passou de repente
e a casa agora ta tão vazia,
que mesmo com o clima quente
as madrugadas parecem frias.

Mamãe já não estende as roupas no varal
e eu lavo minha alma com lagrimas a seco.
Já não existem flores no jardim do meu quintal,
se me atrevo e saio na rua
me perco.

Minha memória anda fraca,
não grava nada. Só vejo o  'ao vivo'.
A vantagem é que não pago na catraca,
mas também não ando em coletivo.

Queria mesmo é brincar, pular, correr,
trepar em jabuticabeira.
Queria novamente viver,
mas já passou minha vida inteira.

Só me resta agora olhar as estrelas
enfeitando o céu nesse escuro,
esperando alguém para vê-las,
um presente,  passado e futuro.


(Rhangel Ribeiro)


domingo, 11 de dezembro de 2011

Garoto Problema

Vou vestir minha farda
pra me sentir  mais seguro.
Deixar crescer minha barba
pra me sentir mais maduro.

Vou acendendo um cigarro
pra me camuflar na fumaça.
Vou viver  tirando sarro
 de um jeito que só eu acho graça.

Vou beber um litro de vinho
pra me integrar socialmente.
Assim não me sinto sozinho
muito menos tão  diferente.

Depois vou sair pra gastar
o dinheiro que ainda não tenho.
Vou mudar tudo de lugar
ao som do jazz caribenho.

Eu sou um cara moderno
pareço um cara feliz.
Mas as vezes minha vida é um inferno
e sempre fica uma cicatriz.

Passo uns dias grudado na net
se preciso fugir de mim mesmo.
Vou aos doces até a diabetes,
engordo de tanto torresmo.

Mas quanto a isso não existe perigo...
antes de deprimir dou  uma festa.
Danço, canto e brigo,
pago por  injeção na testa.


Estou atrás das coisas que faço
uns admiram, outros tem pena.
Alguns me chamam  homem de aço
outros me chamam garoto problema.

(Rhangel Ribeiro)