sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Poema confuso de alguém perdido

Não sei pra onde vou.
Não sei me definir.
Não sei bem quem eu sou.
Não sei pra onde ir.

Dentro de mim sou vários,
e também  só mais um ninguém.
Sou tudo: O malandro, o otário...
Procurando ser alguém.

Dentro do próprio labirinto,
procurando me encontrar...
Sou fingidor e nunca minto.
Em lugar nenhum, em todo lugar.

Acho que estou perdido,
em meio aos EUs que inventei.
Em todos os sentidos
e sem sentido o  que vai ser...
Não sei.

 (Rhangel Ribeiro)


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Preguiçoso

Preciso dormir um pouquinho
não quero sair lá fora,
por favor,  me deixe sozinho
feche a porta e vá embora.


Pare de me acordar,
me deixe aqui...só mais um pouquinho.
Eu preciso descansar.
Por favor,  me deixe sozinho.


Preciso ficar só,
só por agora.
Não tenha pena nem dó.
mas preciso de mais uma hora.

Mãe...ainda é cedo.
Me deixe ficar aqui deitado.
Não...não é por medo
É que tenho um sonho e não foi acabado.
                                                                           Rhangel Ribeiro

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Passo

Passo a vida no liquido escuro
das garrafas de café passado.
Passei o negro passado impuro,
passo  puro, presente errado.

Espero passar meu futuro,
passo tudo assim assado.
No proximo passo imaturo
se errar passo calado.

Passarei por cima do muro.
Passarei o amarrotado.
Passarei por cima de tudo.
Passarei o nescessário.

Não sei se meu passo é seguro
mas passo pela vida de gado.
Passarei mais um apuro
e quando acabar serei passado.


                                                                       (Rhangel Ribeiro)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

CEDINHO

Ao som do bater das canelas
e do desenho do Tico e Teco,
grito Deus da Janela
e me responde o meu eco.

Falo comigo calado*
Deus deve estar ocupado
enquanto escrevo esse verso.

E também deve estar cansado
pois a ele compete o cuidado
de atender todo o universo.

Pensando encafifado
volto a cuidar dos meus trecos*
Deus , eu entendo teu lado,
Sou bicho homi e malvado,
é melhor cuidar dos marrecos.


                                                                                         Rhangel Ribeiro

domingo, 31 de julho de 2011

Sobre conversar com o vento

Nos dias em que não papeio
com senhores ou senhoras. 
Eu jogo palavras ao vento 
e a conversa vai embora. 

Por isso te recomendo: 
proseie com o vento agora, 
não jogue fora todo tempo 
que você pode ganhar 
jogando conversa fora. 

Para isso esteja atento, 
o vento não marca hora, 
seu som só vem com o silêncio 
que muita gente ignora. 

O vento não exige cumprimento, 
sorrisos, assuntos e muito menos cobra 
pela palavra que falta, pelo papo que sobra. 
Dizem que Deus com um sopro de vento 
criou toda a fauna e a flora, 
e todo o invento sagrado 
que hoje o cimento devora. 

Dizem que o vento não tem sentimentos 
mas acredite... O vento chora, 
e quanto mais a cidade corre 
muito mais o vento demora. 

O vento não pede agradecimento 
e não exige multa ou mora, 
o vento só pede um momento, 
pra ser sentido noite adentro 
e quem sabe 
alma afora.

(Rhangel Ribeiro)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

"Bença, vô"

saudades do meu vé-inho
trazendo bolachas Maria,
comendo o piroto, quietinho
observando a sua cria

meu vô hoje me faz falta
meu vô sabia abraçar
meu vô tinha glicose alta
mas a vida soube adoçar

conversava co'os vizinhos
sobre tudo que ele via
de boina, a mascar matinho
só viver é o que queria

me lembro, co'ele vé-inho
fomos a churrascaria
o velho, jeito quietinho
só olhava pra prataria

o velho fazia paçoca no
velho pilão de madeira
meu vô me pegou no colo
meu vô me deu mamadeira

meu vô observava os pássaros
sorria das brincadeiras
o velho vivia a vida e
também falava besteira

quando o velho foi embora
deixou avisado que iria
deixou um vazio no peito
deixou sua prosa em poesia

digo agora: "bença, vô?"
sua resposta eu queria
"Deus te abençoe, meu filho
Deus ilumine o teu dia".

                                           Rhangel Ribeiro
                                                                 
 Revisado por Ivan Justen Santana


(este  dedico a Augusto Machado Ribeiro.. meu falecido avô )


 


terça-feira, 5 de julho de 2011

"Sunt ibi"

 Existem  bêbados na Praça Tiradentes
 vendendo seus casacos em troca de bebida,
 trajados como indigentes
 anunciam uma lenta despedida.
              
                    -

 Existem velhos artistas decadentes
 se apresentando para a multidão desconhecida
 em meio um rebanho de  gentes,
 são achados de uma geração perdida.
  
                    -

 Existe um pássaro engaiolado em minha mente
 triste e sem comida.
 Sigo aguardando doente
 o alpiste de minha vida.                                                               

                                                                                
                                                                 Rhangel Ribeiro